O sono e as doenças crónicas estão mais ligados do que aquilo que imaginamos. Dormir bem não é apenas uma questão de descanso, é fundamental para a saúde do corpo e da mente. No entanto, muitas pessoas ignoram a qualidade do sono e acabam por desenvolver problemas de saúde a longo prazo. Sono e doenças crónicas: Qual a ligação? Esta é uma questão essencial para entender como a falta de sono pode comprometer a nossa saúde e aumentar o risco de diversas patologias.
Sono e doenças crónicas: Qual a ligação?
Durante o sono, o corpo realiza processos essenciais como, por exemplo:
– Reparação celular: fundamental para a regeneração dos tecidos e recuperação muscular.
– Regulação hormonal: controla o apetite, o stress e a resposta imunitária.
– Fortalecimento do sistema imunitário: ajuda o organismo a combater infeções e inflamações.
– Controlo da inflamação: previne o desenvolvimento de várias doenças crónicas.
Quando o sono é insuficiente ou de má qualidade, estas funções ficam comprometidas e, consequentemente, aumenta o risco de desenvolver doenças crónicas. Mas quais são as principais doenças afetadas pela falta de sono?
Doenças crónicas relacionadas ao sono
Vários estudos mostram que a privação de sono está associada a diferentes doenças crónicas, tais como:
1. Diabetes Tipo 2
A falta de sono influencia diretamente o metabolismo da glicose. Quando dormimos pouco, o corpo tem maior dificuldade em utilizar a insulina de forma eficiente, o que pode levar ao aumento dos níveis de açúcar no sangue. Com o tempo, esta desregulação favorece o desenvolvimento da diabetes tipo 2. Além disso, a privação de sono aumenta o desejo por alimentos ricos em açúcares e gorduras, assim agrava ainda mais o problema.
2. Hipertensão e doenças cardiovasculares
Sono e doenças crónicas: qual a ligação no caso da saúde do coração? O sono é essencial para a regulação da pressão arterial. Quem dorme menos de seis horas por noite tem um risco significativamente maior de desenvolver hipertensão. Durante o sono profundo, a pressão arterial baixa naturalmente, ou seja, permite que o coração e os vasos sanguíneos descansem. A privação de sono mantém a pressão elevada por mais tempo e, por isso, aumenta a inflamação e o risco de enfartes e AVCs.
3. Obesidade
A privação de sono afeta diretamente as hormonas responsáveis pelo apetite. Quando dormimos pouco, os níveis de grelina, a hormona que estimula a fome, aumentam, enquanto os níveis de leptina, que promove a sensação de saciedade, diminuem. Como resultado, sentimo-nos mais famintos e temos tendência para escolher alimentos mais calóricos. Ademais, dormir mal reduz a motivação para a prática de exercício físico e, por conseguinte, cria um ciclo prejudicial para a saúde e facilitando o aumento de peso.
4. Depressão e ansiedade
O sono e doenças crónicas também afetam a saúde mental. A insónia está diretamente ligada a problemas como, por exemplo, depressão e ansiedade. Durante o sono, o cérebro processa emoções e regula neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, essenciais para o bem-estar. A falta de descanso adequado pode levar a alterações no humor, irritabilidade e maior vulnerabilidade ao stress. Estudos mostram que pessoas que dormem pouco têm um risco muito maior de desenvolver transtornos psicológicos.
5. Doenças neurodegenerativas
A falta de sono pode acelerar o declínio cognitivo e aumentar o risco de doenças como, por exemplo, Alzheimer e Parkinson. Durante a noite, o cérebro elimina toxinas acumuladas ao longo do dia, incluindo proteínas associadas à degeneração cerebral. Quando o sono é insuficiente, estas substâncias permanecem no cérebro, contribuindo para a deterioração das células nervosas. Além disso, a falta de descanso adequado afeta a memória e a capacidade de concentração.
6. Epilepsia
A epilepsia e o sono têm uma relação bastante complexa. A privação de sono aumenta a frequência das crises epiléticas em pessoas com a doença. Além disso, algumas crises ocorrem durante o sono, interferindo ainda mais na qualidade do descanso. O ciclo do sono afeta a atividade elétrica do cérebro e, quando este ciclo é alterado, pode desencadear convulsões. Melhorar os hábitos de sono ajuda a reduzir a ocorrência das crises e melhora a qualidade de vida de quem sofre de epilepsia.
7. Doenças autoimunes
O sono tem um papel fundamental na regulação do sistema imunitário. A privação de sono pode agravar doenças autoimunes como, por exemplo, artrite reumatoide, lúpus e esclerose múltipla. Durante o sono, o organismo equilibra a resposta imunológica e reduz processos inflamatórios. Quando dormimos pouco, este equilíbrio é afetado, aumentando a inflamação e tornando o corpo mais suscetível a ataques do próprio sistema imunitário.
Como melhorar a qualidade do sono?
Dormir bem pode ajudar a prevenir muitas doenças crónicas. Para isso, siga estas dicas:
– Primeiramente, mantenha um horário regular para dormir e acordar.
– Evite ecrãs e luz azul antes de dormir.
– Reduza o consumo de cafeína e álcool à noite
– Crie um ambiente tranquilo e confortável no quarto.
– Pratique exercício físico regularmente. Contudo, evite treinos intensos antes de dormir.
Em conclusão, o sono e doenças crónicas estão diretamente ligados. Dormir bem não é um luxo, mas sim uma necessidade para manter a saúde em equilíbrio. Pequenas mudanças na rotina podem fazer uma grande diferença. Sono e doenças crónicas: Qual a ligação? A resposta está na importância do descanso para o funcionamento do organismo. Por isso, dá prioridade ao teu descanso e protege a tua saúde a longo prazo. Afinal, um sono de qualidade pode ser a melhor prevenção contra diversas doenças crónicas.
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